Laranja, cenoura e tomate.
Li ontem, a caminho da faculdade, uma crônica bastante interessante, em que o cronista questionava “onde estava a rúcula quando éramos crianças?”. Na verdade, não só a rúcula, como todas as outras verduras e leguminosas: alcachofra, alface, rúcula, escarola, brócolis, agrião – quem comia agrião quando era criança? – e toda a sorte de proparoxítonas e paroxítonas verdes nada atraentes aos seus olhos infantis.
De fato, devo concordar que dentre todos esses nomes estranhos, poucos enchiam nossos pratos quando éramos pequenos – pelo menos que eu me lembre. Não me lembro de ter provado alcachofra vez alguma em minha vida. E estou quase certa de que provar esta iguaria não vai me tornar uma pessoa melhor! Aliás, esse nome me dá medo: “alcachofra”. Parece nome de bruxa de história infantil. “A Bruxa Alcachofra”. Não me surpreendo ao ver que as crianças não queiram comer essas coisas! Imagine só, comer uma coisa que só o nome já faz tremer as bases! Mesmo assim, voltemos ao assunto.
Quando éramos crianças, não comíamos verduras de nomes estranhos, nem tínhamos que ir ao banco. Aliás, para mim, bancos não existiam! Ou até existiam: eu sentava neles. Quando éramos crianças, as contas não venciam, o dia era longo e curto ao mesmo tempo: longo porque fazíamos tudo o que queríamos e sempre tínhamos um tempo vago, curto porque o tempo voava quando nos divertíamos. Quando éramos crianças, o trânsito não estressava, e as pessoas se dividiam em “as legais” e “as más”: as legais sorriam para você, brincavam com você e às vezes até te davam um doce, as más eram dentistas, médicos, professores substitutos e vizinhos cri-cris. Haviam muitas pessoas más, muitas mesmo. Mas era divertido!
Ontem à noite, depois da faculdade, nos reunimos em volta de uma mesa para jogar conversa fora. É impressionante como mesmo fora do ambiente profissional, o seu trabalho insiste em continuar te atarzanando eternamente, como uma mosca enorme zumbindo em seu ouvido. Vocês já devem ter previsto que falávamos sobre trabalho. Sim, falamos sobre trabalho. E, quando não havia mais o que falar nem mesmo sobre trabalho, ouve-se uma voz:
- Mas e a cotação do dólar?
“Meu Deus!”, pensei, “onde estava o dólar quando eu era criança?”. Certamente junto com as verduras. Talvez entre a escarola e a Bruxa-Alcachofra. Aliás, “escarola” me lembra duas coisas: minha prima Caroline, e “escola”. Não sei que relação teria minha prima com a escola, além do fato de ela ainda estudar, mas tudo bem, minha imaginação é fértil.
- O dólar está a 1,6!
Eu tenho saudade do tempo em que eu jogava bola na rua com os meninos, ou quando brincava com minha vizinha de boneca. De quando eu brincava de escolinha, e eu aprendia de verdade! Aprendi a ler e a escrever com menos de 5 anos de idade, brincando. Eu gostava muito de brincar.
Uma outra coisa que eu lembro muito bem de quando eu era criança era um suco que minha mãe fazia. Suco de laranja com cenoura e tomate. Não, eu não sou estranha, ou talvez até seja. Mas esse suco é muito bom! Tem gosto de infância! Antes de me chamarem de louca, provem! É uma delícia.
De certa forma, crescer é bom, aprender é bom, ter experiência é bom. Ser criança para sempre é, além de impossível, monótono. Mas venhamos e convenhamos: Quem é que gosta de comer alcachofra aqui?
Beijos e abraços devidamente distribuidos.

Tags: agrião, alcachofra, alface, brócolis, brincar, cenoura, comida, crônica, crescer, criança, dólar, infantil, infância, laranja, legumes, rúcula, suco, tomate, verdura
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Setembro 5, 2008 at 4:16 pm
hey…..que injustiça com as alcachofras….uma coisa assim tao……hmm…taooo…..natural! hehehe
eca…tbm nao gosto…e quem disser q gosta eh pq quer ser do contra hahaha
texto mto styla!!